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Das pegadas dos tropeiros a cidade dos (i)migrantes

Muitos chegam nesta urbe atraídos por seu forte comércio, pelo polo regional de estudos, trabalho ou até pelo acaso


18/09/2019 às 11:44h

Das pegadas dos tropeiros a cidade dos (i)migrantes
Monumento Todos os Caminhos, de Juraci Dorea | Crédito: Reprodução

Por Juliano Mota Campos

 

Cearenses, paraibanos, paulistas, chineses, bolivianos, nigerianos e agora também venezuelanos, tem algo em comum, Feira de Santana como terra por adoção. Muitos chegam nesta urbe atraídos por seu forte comércio, pelo polo regional de estudos, trabalho ou até pelo acaso. Esses motivos citados aumentaram a população da cidade que é o principal entroncamento rodoviário do norte-nordeste, maior urbe do interior baiano que se desenvolveu de forma mais acelerada nos anos 1970 (fruto da industrialização) e recebia um contingente cada vez maior de imigrantes, sendo por isso criado o Centro de Capacitação Profissional de Migrantes, no estilo de uma Universidade Popular, gerido pelo SIM – Serviço de Integração de Migrantes (1968-1970).


Segundo Josué da Silva Mello, foi na região da antiga fazenda Murici, distrito de Jaíba, que o SIM foi criado, sendo composto por oito prédios, essa sociedade civil, sem fins lucrativos, de natureza cristã-ecumênica, nas décadas de 70 e 80, atendeu mais de 23 mil migrantes, em regime de internato trimestral, possibilitando-lhes alfabetização intensiva, tratamento da saúde, documentação civil e capacitação profissional em até dois cursos, principalmente na área da indústria e da construção civil. Assim como o bairro SIM, muitos outros formaram-se a partir da chegada de pessoas de outros lugares, especialmente a partir do comércio nas feiras livres. Vamos voltar no tempo e entender como Feira de Santana passou de empório comercial a Princesa do Sertão.

 

 


No livro “Feira uma cidade princesa”, o professor Francemberg Reis afirma que desde o século XVIII os tropeiros conduziam suas boiadas em direção ao litoral especialmente pelo distrito de São José das Itapororocas (atual distrito de Maria Quitéria) e que a existência de lagoas, aguadas e água em abundância na região de São José e da fazenda Olhos d’água, localidades distantes 21 km uma da outra, possibilitava que esses tropeiros e seus animais matassem a sede e reabastecessem seus reservatórios para continuarem a viagem. Por São José, passava a estrada por onde essas boiadas viajavam até seus vários destinos. Olhos d’agua caracterizava-se por suas terras de tabuleiro, local de comunicação entre o sertão e o recôncavo, e por ser o espaço onde estes tropeiros faziam novas paradas. Neste vai e vem, alguns tropeiros alongavam seus descansos e, por consequência, estabeleceram-se nestas terras, passando a comercializar o gado em Feira.


Em conjunto com o comércio de gado, a pecuária e a produção agrícola (especialmente de fumo e mandioca) foram fundamentais para o crescimento do município e para a consolidação da feira livre no rol das mais importantes da província, haja vista que a feira de Capuame enfraquecia-se e Feira de Santana politicamente iria ganhando força política até desmembrar-se politicamente de Cachoeira a qual pertencia. Até o início do século XX, a venda do gado ocorria na atual Avenida Senhor dos Passos, local do primeiro campo do gado de Feira de Santana que propiciava uma intensa movimentação de vaqueiros, tropeiros, fazendeiros, negociantes de uma maneira geral.


Além da feira livre, a Petrópolis baiana, como era conhecida a urbe feirense no século XIX foi, segundo Aldo José Silva, destino de muitas pessoas para tratamento de doenças respiratórias, já que seu clima era considerado saudável para a recuperação dos enfermos, por isso no hino da cidade, Georgina Erisman enaltece Feira como terra de sã natureza. Essa cidade com sujeitos de tantas cores, sotaques e naturalidades recebeu uma homenagem de um dos seus principais artistas: Juraci Dórea. Criado em 1991, o monumento “Todos os Caminhos” faz alusão à cidade como ponto de passagem e é fortemente inspirado no Projeto Terra. Para Dórea, esse projeto, composto por obras bidimensionais, em couro curtido e madeira, é movido por uma cena ainda hoje comum na caatinga: os couros de boi espichados sobre varas e deixados à mercê do tempo.


Parabéns a nossa cidade princesa! Que essa data seja um momento de reflexão em torno da valorização de nossa história, rica e diversa, composta por vaqueiros, tropeiros, escravos, mulheres negras, imigrantes, estudantes de norte a sul, comerciantes do feiraguai, lavradores, trabalhadores da indústria, profissionais liberais, enfim todos que de forma singular contribuíram e contribuem para nossas memórias tão plurais que muitas vezes tentam ser silenciadas por aqueles que repetem o discurso vazio de que somos uma terra sem identidade, sem cultura, sem história.

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