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Uma família e uma receita que atravessaram o Atlântico

A receita, que atravessou o Atlântico, foi o que faltava para o estrangeiro firmar raízes em Feira de Santana


18/09/2019 às 11:11h

Uma família e uma receita que atravessaram o Atlântico
Crédito: Hamurabi Dias/FE

Entre doses de vinho do Porto e pasteis de nata, polvilhado com canela e açúcar, Antônio Manoel Simões Ribeiro, 58 anos, conta a recente história de vida em Feira de Santana. Mas antes, é preciso remontar ao início dos fatos. O angolano de família portuguesa nasceu em 1961, quando em Angola começava a guerra pela independência do país - ainda colônia de Portugal. Até 1974, ano da independência angolana, os confrontos deixariam mais de 30 mil mortos. Era o ano de 1975, o país engatinhava na autonomia, quando Antônio Manoel, ainda muito jovem, parte de Angola para a agitação de Portugal, recém-saída da Revolução dos Cravos, processo politico social que pôs fim a um período ditatorial no país, chamado Estado Novo, em 1974.


Entre meados dos anos 70 até 2009 vivendo em terras portuguesas, Antônio Manoel nem imaginava que seria em seu regresso a Angola, já adulto, que Feira de Santana começaria a fazer da parte da vida deste estrangeiro. Isso se deve em parte a uma feirense: Sheila Suely, com quem é casado desde 2011 e são pais da pequena Maria. Sheila morou por cinco anos em Angola e lá conheceu Antônio Manoel que aos poucos foi apresentado a cultura sertaneja, já que casal costumava passar férias na cidade. Mas foi com chegada da filha e em busca de laços familiares, que Feira de Santana tornou-se o destino permanente da família, em 2014.


“Vim por conta dos laços familiares, por que eu por razões naturais já não tinha, [Feira] não deixa de ser uma cidade do interior que tem aquela pacatez, não é uma metrópole que o trânsito é uma loucura. Podemos almoçar em casa, por exemplo, tem essa vantagem, privilégio”, comentou Antônio Manoel.

 

A receita, que atravessou o Atlântico, foi o que faltava para o estrangeiro firmar raízes em Feira de Santana | Crédito: Acervo Pessoal


O idioma e o fato de já conhecer características da cidade facilitou a adaptação do novo morador de Feira de Santana. “Não demorei de me adaptar a cidade, o que levei um pouco mais de tempo foram com as leis, aqui algumas coisas não são ágeis, tudo é demorado, isso tem dificultado, por que estava habituado a processos mais agilizados, aqui, por exemplo, podem existir vários tipos de empresa, o que na Europa não existe”, comparou.


Empresário desde os 29 anos, Antônio conta que toda mudança exige um recomeço. Aí entram os pasteis de nata e Maria. O empreendimento, batizado com o nome da filha, traz o doce mais característico de Portugal para a Bahia. Com uma filial também em São Paulo, no Nordeste o maior público se concentra em Feira de Santana e Salvador. “Comecei a avaliar, analisar e conclui que o melhor caminho seria fazer pastéis de nata. Peguei uma receita de família e fui ajustando aos tempos atuais. Criei toda uma infraestrutura como deve ser e usei o meu conhecimento de gestão”, comentou.

 


A receita, que atravessou o Atlântico, foi o que faltava para o estrangeiro firmar raízes em Feira de Santana. Adaptado as brasilidades e a rotina de Feira, Antônio Manoel só lamenta as restrições que muitas vezes passa por estar em um centro urbano. “Qualidade de vida para mim passa por uma sensação de segurança. Isso é melhor do que ter uma casa boa por exemplo. Durante os tempos que passei tanto em Angola, quanto em Portugal em nunca senti sensação de insegurança. As pessoas aqui são as primeiras a nos prevenir. Mas isso mexe com o psicológico, não deixa a pessoa 100%”, disse.


O desenvolvimento da cidade para ele passa por reduzir as desigualdades. “Para Feira de Santana ou outra cidade qualquer do Brasil ser realmente de futuro, tem que reduzir as desigualdades, por exemplo, de renda. Aos meus olhos, Feira de Santana não tem um movimento de uma cidade com 600 mil habitantes. Lisboa [502 mil habitantes], por exemplo, tem muito mais movimento que Salvador [2,8 milhões], por que o poder aquisitivo das pessoas lá é mais equilibrado”, comparou.


A esposa de Antônio Manoel, Sheila, que é feirense, também comentou sobre seu retorno definitivo a cidade, após os anos de trabalho em Angola. “Vinha pelo menos duas vezes ao ano. Não foi uma surpresa o que encontrei, como as obras de infraestrutura, para a gente que acompanhou o que era aquele Anel de Contorno na região da Cidade Nova. Existe sim esse acréscimo em termos de melhoria. Mas por outro lado a gente encontra o mercado informal gigantesco como é hoje no centro de Feira de Santana”, disse.


Ela lamenta que a história de alguns lugares de Feira de Santana se perdeu com o tempo e o desenvolvimento da cidade. “Às vezes me choca em Feira é a preservação da história, perde-se a memória para a implantação da modernidade. Casava bem manter o que é nosso de história e aliado a isso trazer o moderno”, resumiu.

FONTE: Da Redação
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