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Haddad precisa se descolar de Lula para vencer, diz professor de Harvard

"O PT não pode insistir na fidelidade de Haddad a posições petistas no segundo turno."


11/10/2018 às 07:53h

Haddad precisa se descolar de Lula para vencer, diz professor de Harvard
Foto: Franklin de Freitas/Folhapress

Há quase quatro décadas dedicado a pesquisas sobre Brasil e América Latina, o cientista político norte-americano Scott Mainwaring testemunhou incontáveis fatos na região, mas poucos tão surpreendentes quanto o resultado de Jair Bolsonaro e de seus aliados na eleição deste domingo (7).


Professor de estudos brasileiros na Universidade Harvard (EUA), Mainwaring é autor de, entre outros livros renomados, "Sistemas Partidários em Novas Democracias - O Caso do Brasil".


Uma vitória de Bolsonaro, diz o brasilianista, é o cenário mais provável neste segundo turno. Fernando Haddad (PT), seu oponente, só terá chance de êxito se descolar sua imagem da de Lula. "O PT não pode insistir na fidelidade de Haddad a posições petistas no segundo turno."

 

Pergunta - O senhor esperava o resultado deste primeiro turno?
Mainwaring - Não, fiquei surpreso com a votação de Bolsonaro e o resultado de seus aliados. Essa eleição foi muito difícil de prever. Há pouco tempo eu mesmo tinha dúvidas se Bolsonaro iria ao segundo turno, e ele quase ganhou no primeiro.

 

Quase todos os analistas brasileiros também diziam que ele perderia fôlego.
Mainwaring - A trajetória foi muito atípica. Tinha pouco tempo de TV, quase nenhuma estrutura partidária. Ainda sofreu um ataque e ficou de fora da campanha.
Foi uma surpresa para mim.


O caso mais parecido, dentre as candidaturas viáveis para a Presidência, foi o de Fernando Collor de Mello, na eleição de 1989. Collor tinha um discurso populista, mas nem de longe tão antidemocrático quanto o de Bolsonaro. E tinha mais experiência administrativa.

 

Qual o resultado mais provável para o segundo turno?
Mainwaring - Acho bastante mais provável a vitória de Bolsonaro. A vantagem foi grande no primeiro turno e o resultado geral do pleito o favorece.

 

Debate-se muito no Brasil se Bolsonaro e Haddad são ameaças à democracia. O que o senhor acha?
Mainwaring - Isso passa pela interpretação de cada um. Para mim, o Bolsonaro tem um discurso claramente antidemocrático. Tem um discurso de pouco tolerância, de discriminação contra mulheres, homossexuais, a favor do uso excessivo da força da polícia, de não respeitar os direitos de suspeitos.

 

E em relação ao Haddad?
Mainwaring - Haddad, a meu ver, é completamente o contrário. A prática e o discurso dele são plenamente democráticos.

 

Mas algumas medidas do PT não seriam também ameaças? Corrupção, apoio a governos autoritários, declarações de algumas lideranças, como José Dirceu falar em "tomada do poder".
Mainwaring - Há no PT alguns traços não completamente democráticos, mas não no caso do Haddad. Ele é o perfil mais democrático e moderado dentro do partido.

 

Se Bolsonaro é uma ameaça e teve votação tão expressiva, isso significa que o eleitor não preza os valores democráticos?
Mainwaring - As pessoas estão dispostas a abrir mão de direitos democráticos se acham que algum líder pode solucionar os problemas graves do país.
Alberto Fujimori, por exemplo, reelegeu-se presidente do Peru em 1995, com grande margem de votos, depois de ter fechado o Congresso e anulado direitos constitucionais. O que se passava no Peru? O país sofreu hiperinflação nos anos 80, passou por uma crise econômica muito mais drástica que a brasileira e ainda enfrentava uma guerra contra o terrorismo. Fujimori conseguiu resultados positivos nesses casos, o que explica sua popularidade, a despeito de seu autoritarismo.

 

Não falta ao PT uma autocrítica maior em relação aos escândalos dos últimos anos?
Mainwaring - Certamente. Ignorar a corrupção é falta grave. O PT perdeu grande parte da classe média brasileira por isso.

 

Lula alavancou a candidatura de Haddad, mas agora não irá dificultar a conquista dos votos do centro?
Mainwaring - Haddad enfrenta um delicado equilíbrio: Lula é um apoiador essencial e um grande obstáculo. Haddad deve defender Lula, ele precisa da base de Lula, mas a rejeição a Lula e ao PT é uma grande barreira.


Acho que o PT cometeu alguns erros nesta campanha, mas foram erros difíceis de evitar, dada a história recente do país. A ardente defesa de Lula, a alegação de que ele é inocente, a ideia extremamente questionável de que o impeachment foi um golpe (embora eu ache que foi uma má ideia), a rejeição da reforma da Previdência, essas bandeiras ajudaram a mobilizar a base do PT, mas também solidificaram no resto do país a ideia de que o PT é um perigo.


Para vencer, Haddad precisa se descolar de Lula. Haddad representa a parte mais moderada, democrática e pensativa do PT, mas ele é prisioneiro do partido e de Lula. Este é, realmente, um curso muito difícil para ele navegar.

 

Como avalia a democracia brasileira nas últimas três décadas?
Mainwaring - Simplificando um pouco, podemos dizer que há três fases bastante nítidas. A primeira vai de 1985 a 1994, uma fase de muita turbulência, recessão, um impeachment.


A segunda vai do governo de Fernando Henrique Cardoso ao fim da gestão de Lula, em 2010. Parecia que o rumo do país estava mais acertado, a pobreza caía, a economia estava estabilizada.


O último período, de Dilma Rousseff até hoje, é de uma grave crise, de muito ceticismo, aumento da violência, recessão. A questão é saber que rumo o país tomará agora.

 

Uma piada diz que o período FHC e Lula foi um intervalo democrático no país, e que agora voltamos à instabilidade brasileira tradicional.
Mainwaring - Eu concordo (risos). Mas as sementes da crise dos anos 2010 foram plantadas, de certa maneira, no governo Lula, pela corrupção.

FONTE: Folhapress
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