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Homicídio de jovens negros cresce 251,9% em 10 anos

Poucos avanços são identificados quando se trata do crescimento da violência contra a juventude negra no país


21/11/2014 às 08:11h

Em 2002, a Bahia registrou 924 assassinatos de jovens negros. Dez anos depois, o número foi de 3.252, o que significa um aumento de 251,9% de jovens negros assassinados no estado. Já o número de homicídios dos jovens brancos na Bahia, em 2002 foi de 75 e em 2012, chegou a 227. Um aumento de 204,8%%. Segundo pesquisadores, os números apontados pelo Mapa da Violência 2014, divulgado no início do mês de novembro, evidenciam o genocídio da juventude negra.


Para Trícia Calmon, coordenadora de Promoção da Igualdade Racial da Secretaria de Promoção a Igualdade Racial (Sepromi), órgão do governo da Bahia, poucos avanços são identificados quando se trata do crescimento da violência contra a juventude negra no país. "Esse cenário é extremamente desafiador e eu diria que se tem um campo onde nós conseguimos pouco avanço, pouco progresso, é justamente o campo da segurança pública, da violência contra a juventude negra. Por conta disso, esse é um dos temas que mais se debate", afirma a coordenadora.


De acordo com Hamilton Borges, militante da Quilombo X, organização cultural de maioria negra que promove a campanha de combate à violência contra a população negra "Reaja ou será morta, reaja ou será morto", o volume de mortes que existe no nordeste brasileiro, sobretudo na Bahia, não tem impacto nos discursos, nas mídias, na política. Segundo o Mapa da Violência 2014, a região Nordeste quase duplicou os homicídios na década, com destaque negativo para Maranhão, Bahia e Rio Grande do Norte, onde as taxas mais que triplicam.


"É como se todos os problemas relacionados a isso, eles se concentrassem ali, no Rio-São Paulo. E a gente vê aí que é a segunda vez que o anuário de segurança pública demonstra que a Bahia, a polícia baiana, em dados absolutos, é a terceira que mais mata no Brasil. Em dados relativos, é a primeira que mais mata no Brasil. Se ela é a primeira que mais mata no Brasil e se o Mapa da Violência indica que o Brasil é o lugar que mais se mata, ultrapassando os índices de mortes de países de guerra em alta intensidade, significa que a polícia baiana é a que mais mata no mundo. Então essa é uma dimensão importante pra gente, que é a dimensão da denúncia", afirma Borges.


De acordo com Trícia Calmon, o jovem negro ainda é "enquadrado" como o chamado perfil suspeito e pressupõe-se que as pessoas negras, com menos recurso, com menos acesso à justiça, elas vão ter os direitos violados e dificilmente vão ter a noção garantida de ter ao menos a investigação dos crimes que ocorrem.


"É muito importante que a gente consiga fazer a leitura de que a população negra, em geral, ela é o seguimento populacional que menos tem acesso a justiça, a segurança, e que mais tem os direitos humanos violados". Para Hamilton Borges, o estado é o maior violador dos direitos humanos no próprio estado a partir da escolha do corpo negro como o corpo do bandido, o corpo do marginal.


"Uma luta, que é uma reivindicação da própria sociedade civil, das organizações de movimento negro e de direitos humanos, é que a gente precisa promover de fato a investigação, porque quando as mortes acontecem e não existe investigação, a nossa sensação é de que a impunidade permite e fomenta que mais coisas aconteçam", afirma Trícia Calmon. Para Anna Cunha, analista de Programa do Fundo de População das Nações Unidas/UNFPA, para os temas de Saúde Reprodutiva e Juventude, a violência, incluindo a violência letal contra a jovens negros, é uma grave violação aos direitos humanos e um obstáculo para o desenvolvimento.


Segundo ela, para que direitos e expectativas da população jovem, e da juventude negra em especial, sejam efetivamente priorizados nas agendas de desenvolvimento e em políticas públicas é preciso investir em projetos. "O UNFPA realiza projetos, iniciativas e ações, com ênfase nas parcerias com entes governamentais nacionais e locais, além de redes de jovens, outras agências das Nações Unidas, organizações de base comunitária e instituições acadêmicas", afirma.


Porém, Hamilton Borges defende que não adianta ter a diversidade, ter acesso à escola e cargos públicos, se a vida não é priorizada. "Se você não tem vida, você não tem nada. E nós queremos preservar a vida, a vida desses jovens, que morrem nas fases mais produtivas das suas vidas, que podem construir tantos saberes e a vida é interrompida. Por isso nós não participamos do circo armado de promoção da igualdade, nós participamos do campo aberto da luta contra o racismo", conclui.

FONTE: G1 BA
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