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Cientista baiano aperfeiçoa tratamentos de câncer de próstata

O pesquisador José Carlos dos Santos falou a respeito não só do seu trabalho, mas contou a sua história de superação: um garoto negro, da zona rural, que estudou em escolas públicas e que ainda na infância teve que começar a trabalhar para ajudar no sustento da família


22/11/2020 às 05:59h

Cientista baiano aperfeiçoa tratamentos de câncer de próstata
Crédito: Acervo pessoal

No mês marcado pela campanha Novembro Azul, onde evidencia a prevenção e o combate a doenças que atingem ao público masculino, um cientista baiano hoje radicado na Alemanha, trabalha em um processo de desenvolvimento de tratamentos para amenizar os efeitos colaterais causados pela radioterapia aplicada em pacientes acometidos de câncer. Em entrevista exclusiva ao FOLHA DO ESTADO, o pesquisador José Carlos dos Santos falou a respeito não só do seu trabalho, mas contou a sua história de superação: um garoto negro, da zona rural, que estudou em escolas públicas e que ainda na infância teve que começar a trabalhar para ajudar no sustento da família.


Através do estudo, ele venceu as dificuldades e hoje dá importante contribuição ao mundo científico através do projeto que desenvolve em Heildeberg na Alemanha. Baiano da cidade de Jaguaquara - a 220 quilômetros de Feira de Santana - José Carlos dos Santos vem de uma família de sete irmãos e conta que passou por muitas dificuldades, onde logo cedo começou a trabalhar para ajudar no sustento da família, já que seus pais eram separados. “Trabalhei na feira, vendendo farinha, feijão. Comecei com 9 anos. Nós passamos muitas dificuldades. Eu e meu irmão praticamente sustentávamos a família inteira”, disse.


Depois de um tempo morando na zona rural, a família se mudou para a cidade. A mãe dele trabalhava como servente e zeladora em uma escola. Quando ele estava com 10 anos, ela precisou voltar para a zona rural e Carlos ficou com os irmãos em Jaguaquara.


O pesquisador conta que foram as dificuldades que acabaram moldando os sonhos dele, e os estudos sempre foram o caminho que ele considerou o único possível para “voar”. “Foi exatamente nesse momento, panelas vazias, luz cortada, água cortada, isso me instigou muito a estudar. Eu já era referência [na escola], mas isso me impulsionou. Me fez autor. Minhas asas cresceram, essa situação me trouxe isso. Para mim funcionou. Desenvolvi um espirito resiliente”, relata.


Com o apoio dos professores, o garoto que sempre aplicado na escola seguiu firme nos es- tudos. O ensino fundamental ele cursou no colégio Luzia Silva e colégio Pio XII, em Jaguaquara. No ensino médio, ele entrou no Instituto Federal Baiano (IFBaiano), em Santa Inês. Passou no curso de Química na Universidade Estadual do Sudoeste Baiano (Uesb), concluiu a licenciatura e continuou os estudos, onde acumula dois mestrados: em Química Medicinal, pela Universidade de Regensburg, na Alemanha, e em Química Radiofamacêutica e Terapêutica, pela Universidade Clássica de Lisboa, Portugal. José Carlos também é doutor pela Universidade de Heidelberg, também na Alemanha.


O PROJETO


José Carlos dos Santos, através dos estudos chegou a Alemanha, onde está radicado a 13 anos, sendo que deste tempo, cinco anos ele tem trabalhado na pesquisa com a finalidade de se chegar a um tratamento de câncer sem gerar tantos efeitos colaterais ao paciente. A motivação maior para que José Carlos se aprofundasse nos estudos foi o sofrimento de pessoas que são submetidas aos tratamentos para combater o câncer. “Quem não teve nenhum amigo, familiar que não teve câncer? O fato de ter alguns amigos e familiares que morreram de câncer fez com que eu me interessasse pela área. Hoje é uma doença muito comum, é uma doença do século moderno. É um processo também de envelhecimento, de seleção natural”, afirmou.


Hoje, a pesquisa dele é desenvolvida no Centro Alemão de Pesquisa do Câncer, um dos institutos mais importantes da Europa. O foco maior do trabalho está no desenvolvimento de novas radioterapias que tragam resultados efetivos, mas sem efeitos colaterais tão agressivos. “Elas são radioterapias com um novo conceito, com conceito de teranóstico, tera significa terapia e nóstico diagnóstico. É uma radioterapia com função dupla, que ajuda do diagnóstico e tratamento, tem uma contribuição gigantesca para a medicina nuclear”, detalha.


A diferença, ele explica, impacta diretamente na qualidade de vida e longevidade do paciente. “Nós temos uma deficiência muito grande nessa área porque as radioterapias não são específicas e causam efeitos colaterais. Nesse caso, da que eu desenvolvi, como ela é específica para o alvo, não tem tantos efeitos colaterais e oferece para o paciente uma qualidade de vida, uma expectativa de vida maior, mais dias de vida”.


O cientista detalha a pesqui- sa, que durou 5 anos até chegar na fase de testes em pacientes. A principal diferença, segundo Carlos, é que alguns tratamentos usados hoje nas radioterapias e quimioterapias, como não têm um alvo específico, acabam agredindo células saudáveis dos pacientes, deixando-os muito debilitados durante o tratamento, principalmente se for a longo prazo. As substâncias desenvolvidas pelo pesquisador baiano receberam nomes científicos que levam as iniciais do nome dele CA (Carlos). São elas: CA03; CA012; CA028.


Todas já foram testadas, patenteadas e compradas por uma indústria alemã, mas ainda não estão disponíveis nos centros de tratamento. “Foi uma substância chegou a uma fase bem desenvolvida e foi testada em pacientes com excelentes resultados. Em breve vai estar no mercado para todo mundo”, explicou José Carlos Santos. 

FONTE: Da Redação
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