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Pandemia trouxe novos desafios para captação de órgãos

Em 2020, a pandemia do coronavírus trouxe uma nova realidade para os pacientes que dependem de um novo órgão, tanto para as equipes que fazem a captação e os transplantes


25/09/2020 às 10:42h

Pandemia trouxe novos desafios para captação de órgãos

No dia 27 de setembro comemora-se o Dia Nacional da Doação de Órgãos, mas ao longo do mês, diversas ações foram feitas para conscientizar a população sobre a importância deste ato para salvar vidas. Em 2020, a pandemia do coronavírus trouxe uma nova realidade para os pacientes que dependem de um novo órgão, tanto para as equipes que fazem a captação e os transplantes, como é caso da Fundação Pró-Rim.


O atendimento aos pacientes da Covid-19 fez com que hospitais e equipes médicas adotassem novos procedimentos e reformulassem suas estruturas, e para prevenir novos focos de contaminação aconteceu a suspensão das cirurgias de transplante em vários estados brasileiros. Com isso, houve também a redução de doações de órgãos e de novos ingressos nas listas de transplantes neste primeiro semestre.


Neste ano haverá uma queda de 60% das cirurgias comparada a 2019, segundo a projeção da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). De acordo com a associação, comparado ao mesmo período de janeiro a junho de 2019, os órgãos que tiveram a diminuição no número de transplantes foram pâncreas, pulmão, coração, rim e fígado. O transplante de córneas foi o mais comprometido, devido à suspensão das atividades em todo o país.


Pandemia trouxe desafios para a área


Os pacientes renais crônicos que aguardam a doação de um rim tiveram que redobrar os cuidados com sua saúde, já debilitada por conta da doença, e ter mais paciência para aguardar a retomada dos procedimentos de transplante. Apesar disso, a Fundação Pró-Rim registrou 44 transplantes entre janeiro a junho de 2020, seis procedimentos a mais do que neste mesmo intervalo em 2019. A baixa no número de transplantes ocorreu nos meses de julho, agosto e setembro, em decorrência do pico de casos de Covid-19.


“Nós ampliamos e intensificamos os processos de prevenção ao contágio do vírus para garantir a segurança tanto dos pacientes quanto dos profissionais envolvidos nos procedimentos e atendimentos. Os pacientes renais e transplantados fazem parte do grupo de risco por conta da baixa imunidade, e muitos apresentam outras doenças crônicas como diabetes e hipertensão”, enfatiza o médico nefrologista e presidente da Pró-Rim, Dr. Marcos Alexandre Vieira.


O impacto na inviabilidade dos transplantes veio em decorrência da alta ocupação das UTI’s e mobilização de todos os esforços e recursos hospitalares para atendimento dos casos de Covid. A normalização dos procedimentos e da captação de órgãos deve ocorrer com a baixa no número de casos confirmados e de pacientes internados nos hospitais.


“A conscientização da população interfere muito nesse cenário. As pessoas se prevenindo e seguindo as recomendações básicas, como distanciamento social, higienização das mãos e o uso das máscaras; o número de contaminados e de casos graves podem baixar, os leitos dos hospitais ficam livres e as cirurgias podem voltar. A prevenção é responsabilidade de todos”, ressalta a médica nefrologista e coordenadora do setor de Transplantes da Pró-Rim, Dra. Luciane Deboni.


Vida nova


O transplante pode significar vida nova para muitas pessoas. Mariane Gabrielle Machado, de 22 anos, comemora o primeiro ano de transplante neste dia 27/09. Após três anos e meio de tratamento de hemodiálise ela foi chamada para o transplante no dia em que se comemora a doação de órgãos no Brasil.


Além de não precisar mais ir até a clínica três vezes por semana e fica durante 4 horas na máquina, ela conta que o transplante trouxe mais qualidade de vida. “Comecei a fazer atividades físicas que antes eu não conseguia pois não tinha fôlego e o meu coração acelerava muito, além de sofrer com muitas dores no corpo. Aproveitei mais o tempo com os meu familiares e parentes. Comecei a analisar cada momento e percebi como a vida é boa e as vezes a gente não sabe valorizar”, conta a jovem.


A esperança do transplante faz com que muitas pessoas venham de longe em busca de uma mudança de vida. Como foi o caso de Edinalva Dias de Oliveira, que veio do Pará para Joinville (SC) com a perspectiva de vida nova com um transplante. “O caminho mais fácil que você tem é desistir, mas não podemos fazer isso”, comenta sobre a mudança de estado.


Edinalva, assim como muitos outros pacientes transplantados, são gratos pelo gesto de amor ao próximo com a doação de órgãos e o consentimento das famílias. “Mesmo diante da dor, uma família teve essa atitude generosa, sou muito grata a eles onde quer que estejam. E que a nossa história sirva de exemplo para todos dizerem ‘sim” à doação de órgãos”, complementa ao lembrar de toda a trajetória até a vida nova.


Os transplantes em Joinville (SC) são realizados pela equipe da Fundação Pró-Rim em parceria com o Hospital Municipal São José.


Como ser um doador de órgãos?


Apesar de o Brasil ter um dos maiores índices de aprovação do mundo à doação de órgãos e ser considerado referência mundial em transplantes – só fica atrás dos Estados Unidos -, o número de doações efetivas ainda é baixo em relação ao número de pessoas que aguardam em lista.


Isso se dá por causa da recusa das famílias em autorizar a doação, além da falta de treinamento para capacitar os profissionais para a captação de órgãos. Muitas vezes, a família não fica sabendo do desejo do parente em doar os órgãos, o que impede de salvar vidas. “Por isso é de extrema importância avisar a família ainda em vida o desejo de ser doador de órgãos”, declara Dr. Marcos, que completa: “Hoje, milhares de vidas dependem da consciência de familiares que perderam entes queridos. É importante ressaltar que para ser doador não precisa deixar nenhum documento expresso. Basta conversar com os familiares, manifestando esse desejo”, enfatiza o médico.

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