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Por que é difícil encontrar mulheres atletas de MMA?

Fique sabendo através da analise da atleta profissional de MMA, Virna Jandiroba


28/04/2016 às 04:32h

Por que é difícil encontrar mulheres atletas de MMA?
Crédito: Divulgação

Virna Jandiroba

 

Por que há dificuldade em encontrar mulheres, atletas de MMA, na Bahia? Esse foi o desafio que nos foi lançado. Responder essa pergunta é trabalho árduo e, talvez, pretensioso, diante dos múltiplos fatores que contribuem e determinam este fenômeno.

 

O MMA, tal como ele é atualmente, é um fenômeno recente, ainda mais recente é a entrada das mulheres no esporte. Tomando como referência o UFC, uma das maiores organizações do esporte no mundo, podemos apontar Ronda Rousey como a primeira mulher a ser contratada pelo evento, no ano de 2012, sendo que a organização foi fundada em 1993. O que nos faz compreender que as portas ainda estão sendo abertas para as mulheres, ainda que em “passos lentos”. Um dos aspectos que dificultam este processo é o preconceito e, sobretudo, o machismo, “mulher não deve lutar”, “luta é coisa de homem”.

 

Aquele é o cenário atual, há um número menor de mulheres no MMA que de homens, este é um fato, muito pela questão de papeis de gêneros que ocupamos na nossa sociedade. “Tudo bem, mas o que isso tem a ver com a Bahia?” No nosso caso em especifico, a dificuldade de encontrar mulheres atletas de MMA na Bahia, se dá também por essa construção histórica e afastamento da mulher dos esportes, mas guardada a singularidade da região, um estado extremamente marcado pelo patriarcado, terra de antigos coronéis, cangaceiros, que produziu e reproduziu historicamente através da força, arte, literatura e etc, um perfil de um nordeste marcadamente masculino, sem espaço para a figura feminina. A Bahia moderna apresenta novas configurações, “o novo sempre vem”, mas ainda somos marcadas pelos resquícios dessa construção, muitas mulheres rompem com o que a sociedade lhes impõe para lutar.

 

Outro fator que também é um empecilho para a pratica de esportes na Bahia, não apenas o MMA, mas aqui o assunto é ele, apesar da Bahia ser um estado rico, é extremamente desigual e marcada pelo desinvestimento, no que diz respeito a políticas publicas para o esporte e lazer, que talvez possibilitassem a aproximação das pessoas (a base, o povo), no nosso caso, especificamente das mulheres, de forma que se criasse uma cultura, por exemplo, de lutas no nosso estado. No entanto, temos o esporte e lazer secundarizado e o direito a praticas corporais subtraídos.

 

O MMA, assim como muitas artes marciais, é um esporte caro, requer materiais e tempo, nossa gente é marcada pela desigualdade social, há um afastamento do estado e uma dificuldade enorme em encontrar patrocínio, capaz de contribuir com a manutenção da vida de atleta, das instituições privadas. Diante disso não nos parece natural a escassez de mulheres lutadoras profissionais de MMA no nosso estado.

 

Como falamos no inicio do texto, responder essa questão é tarefa que requer aprofundamento e pesquisa, porém, mas importante que responder, é questionar e sem duvida apontar direções.

 

Claramente a razão de possuirmos poucas atletas mulheres de MMA na Bahia, não se dá pela ausência de qualidade, habilidade ou qualquer tipo de estereótipo burro (a exemplo de Amanda Nunes (UFC), Marilia Chocolate (XFC), Ana Maria (Índia) mas sim por condições, construções históricas que fomos e somos submetidas.

 

Parafraseando Belchior, conheço o meu lugar e a minha gente, aliás, de luta a gente entende.

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